Desperdício de energia custou mais de R$ 60 bi para o Brasil nos últimos três anos

30-09-2017

Nos últimos três anos, o desperdício de energia custou R$ 61,7 bilhões de acordo com o relatório da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). A falta de economia do recurso, além de representar perda financeira, se relaciona intimamente com as mudanças climáticas. Como lembra Alexandre Moana, presidente da Abesco, uma grande parte das emissões dos gases mais nocivos para a atmosfera – como o monóxido de carbono, por exemplo – decorrem do que ele chama de ‘fome humana por energia’. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre as Ações Climáticas (IPCC), a eletricidade e o aquecimento são as atividades humanas que mais emitem gases do efeito estufa.

Mesmo que o Brasil seja um país com uma geração energética relativamente menos nociva, por grande parte vir de hidrelétricas (cerca de 60%), Moana lembra que o potencial hidráulico do país está esgotado. As últimas usinas construídas, como a Belo Monte, não tem mais grandes lagos que armazenam a água (energia potencial) e têm funcionamento “a fio d’água” – consequentemente, ficam mais suscetíveis ao clima e períodos de estiagem.

Nesse contexto, as usinas termelétricas tem ganhado mais força no país – o que aumenta a pegada de carbono brasileira. O crescimento de fontes limpas como a eólica e solar representa um ganho para o país, mas dependem da disponibilidade de sol ou de vento e são suscetíveis a interrupções. Por isso, para o presidente da associação, um ponto-chave é atingir uma maior eficiência energética – ou seja, atuar para diminuir o desperdício.

Nos últimos três anos, o desperdício de energia custou R$ 61,7 bilhões de acordo com o relatório da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). A falta de economia do recurso, além de representar perda financeira, se relaciona intimamente com as mudanças climáticas. Como lembra Alexandre Moana, presidente da Abesco, uma grande parte das emissões dos gases mais nocivos para a atmosfera – como o monóxido de carbono, por exemplo – decorrem do que ele chama de ‘fome humana por energia’. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre as Ações Climáticas (IPCC), a eletricidade e o aquecimento são as atividades humanas que mais emitem gases do efeito estufa.

Mesmo que o Brasil seja um país com uma geração energética relativamente menos nociva, por grande parte vir de hidrelétricas (cerca de 60%), Moana lembra que o potencial hidráulico do país está esgotado. As últimas usinas construídas, como a Belo Monte, não tem mais grandes lagos que armazenam a água (energia potencial) e têm funcionamento “a fio d’água” – consequentemente, ficam mais suscetíveis ao clima e períodos de estiagem.

Nesse contexto, as usinas termelétricas tem ganhado mais força no país – o que aumenta a pegada de carbono brasileira. O crescimento de fontes limpas como a eólica e solar representa um ganho para o país, mas dependem da disponibilidade de sol ou de vento e são suscetíveis a interrupções. Por isso, para o presidente da associação, um ponto-chave é atingir uma maior eficiência energética – ou seja, atuar para diminuir o desperdício.

“Hoje, fazer coleta de energia do sol ou vento é igual fazer captação de chuva em uma caixa d’água que tem um furo. Você gasta dinheiro para fabricar a caixa, para operar e pela infraestrutura a fim de alimentar esse lugar que está vazando. Então primeiro tem que estancar o vazamento. É isso que é a eficiência energética no Brasil”, resume.

Modernização é a solução

Segundo o relatório da Abesco, grande parte do problema poderia ser resolvido com modernização de equipamentos industriais e fabricação de produtos com consumo mais eficiente. Outro item destacado por Moana é a tarifa binômia para os consumidores: ao invés de apenas considerar o consumo por watt/hora na conta, a tarifa leva também em consideração a potência usada no sistema. Ao ligar muitos eletrônicos com alta potência, por exemplo, o usuário acaba contribuindo para sobrecarregar a rede elétrica. Dessa forma, seria mais fácil diferenciar e beneficiar consumidores mais conscientes.

Em relação ao comércio e indústria, o especialista lembra ainda do grande potencial de redução de consumo em produtos relacionados a iluminação e refrigeração. De acordo com o especialista, a falta de exigências relacionadas à eficiência energética acaba atrapalhando nessa questão. “Se você torna o uso final e a tomada da residência mais eficiente, o benefício que você traz para toda a cadeia é o maior possível e supera todas as correções tecnológicas que poderíamos fazer no sistema de geração. Traz benefícios instantâneos”, frisa.

Uma das grandes indústrias consumidoras de energia é o mercado de refrigeração, essencial para o comércio e para a vida doméstica. Geladeiras, freezers e ar-condicionados, por exemplo, têm um consumo energético elevado – justamente por isso, representam altos gastos para estabelecimentos. Supermercados, por exemplo, tem cerca de 60% de seu custo fixo comprometido para pagar essa conta.

Investir em tecnologia e produtos mais eficientes é primordial para reduzir esse gasto e também trabalhar a sustentabilidade. Um dos avanços do setor foi a substituição de refrigerantes – o fluido responsável por fazer a diferença de temperatura nos sistemas de refrigeração – sintéticos, que agridem a camada de ozônio (CFCs, HFC e HCFCs), por naturais, como o dióxido de carbono (CO2/R-744). O desenvolvimento dos refrigerantes naturais ocorreu de forma alinhada aos grandes protocolos e tratados globais ambientais, como os de Montreal (1989) e Kyoto (1997).

Até 30% menos energia

Para as empresas que trabalham com a área, essa foi uma mudança importante. Segundo Ernani Nunes, diretor de Novos Negócios da Embraco, a questão ambiental caminha de mãos dadas com o melhor uso da energia. “A medida que houve essa mudança [com o uso de substâncias naturais], o grande desafio é continuar com os programas de aumento de eficiência dos aparelhos”, explica. O trabalho para aumentar a eficiência dos compressores – o coração do sistema de refrigeração – traz esse ganho. Com novas tecnologias, funcionamento mais eficiente e menos matéria-prima utilizada nos produtos, a economia de energia pode representar entre 10% a 30%, dependendo do aparelho e de sua especificidade.

O alto investimento em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, de acordo com Raul Bosco, gerente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento da Embraco, é um dos fatores essenciais para garantir a inovação da empresa. Entre 3% e 4% do faturamento da organização são destinados a essa área e 600 engenheiros trabalham constantemente na atuação da indústria. Detectar os problemas dos clientes é essencial para desenvolver soluções em conjunto: “o segredo para uma indústria é esse: estar atento às necessidades dos mercados, próximos ao cliente, e com isso endereçar a solução”, alerta o executivo.

Veja a matéria original no site do Estadão.

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