Horário de verão já não se justifica, aponta ABESCO

22-10-2018

O horário de verão, em vigor desde 1931 e que neste ano terá início em 4 de novembro, já foi muito importante para a economia de energia no Brasil. Porém, essa economia gerada no período já não se justifica mais.

A avaliação é da ABESCO (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), que aponta um movimento contrário, na verdade um aumento no consumo de eletricidade nos últimos anos. “Os motivos para ohorário de verão existir diminuíram ao longo do tempo. Este fator (horário de verão) já não tem tanta relevância como antes”, compara o presidente da ABESCO, Alexandre Moana.

A argumentação do presidente da associação tem relação com o aparelho que se tornou o maior vilão do consumo de energia no país: o ar-condicionado. “Na prática, na maior parte do Brasil, esse aparelho é usado ao máximo. Por isso, essa mudança de horário não faz mais sentido”, enfatiza Moana.

Ainda segundo o presidente da ABESCO, o cenário é bastante diferente de décadas atrás, quando o chuveiro elétrico era considerado o grande causador de desperdício. “O ar-condicionado não é que nem o chuveiro, que você liga durante cerca de dez minutos. Se alguém liga este aparelho maior, geralmente, são para períodos maiores; para dormir, por exemplo. Então, conclui-se que a temperatura é o que mais influencia os hábitos do consumidor e não a incidência da luz”, observa.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Moana revela ainda que o aparelho de ar-condicionado tem a possibilidade de ser ainda mais eficiente do que o chuveiro, desde que haja um isolamento adequado do ambiente em que ele está instalado.

“O chuveiro tem 96% de eficiência energética. Já o ar-condicionado, é variável. Por exemplo, se houver uma fresta aberta no ambiente, pode haver desperdício de cerca de 20% de energia. Já a instalação de um aparelho com tamanho diferente do ideal pode gerar mais de 30% de perda. Se a casa for construída com a parede mais fina do que deveria e o sol estiver batendo justamente nela, o gasto de energia, desnecessariamente, pode superar os 40%”, explica.

Outro fator que poderia deixar o ar-condicionado mais eficiente é o dimensionamento dele de acordo com o tamanho do ambiente. “Às vezes, a pessoa tem um ar-condicionado pequeno para o tamanho da sala. Logo, vai gastar mais tempo para refrigerar o local. Há também aquele caso em que o ar-condicionado é muito grande, tem uma potência maior, não justificando o uso, se a sala é menor”, completa.

ECONOMIA DE 8 DIAS

Para se ter uma ideia, nos 126 dias em que esteve em vigor entre o final de 2017 e início de 2018, o horário deverão gerou uma economia de apenas 74,2 MWh em 234 cidades atendidas pela CPFL Paulista, o equivalente ao abastecimento de uma cidade como Campinas (que possui de 1,1 milhão de habitantes) por apenas oito dias.

SOBRE A ABESCO

Fundada em 1997, a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia – ABESCO é uma entidade civil sem fins lucrativos que representa oficialmente o segmento de eficiência energética brasileiro, formado por empresas de diversas áreas. O objetivo da ABESCO é fomentar e promover ações e projetos para o crescimento do mercado de eficiência energética, beneficiando não somente seus associados, mas também a sociedade, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do país. Eficiência energética é uma atividade que busca proporcionar meios para se produzir mais com a menor quantidade de energia.

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