Nissan quer usar bateria descartada de carro elétrico para levar energia a casas

04-08-2018

Ao iniciar as vendas no Brasil da nova geração do Leaf elétrico na primeira metade de 2019, a Nissan pretende já ter definido um destino para as baterias após seu descarte, principal preocupação dos ambientalistas. Uma das alternativas é usá-las para armazenar energia e atender comunidades remotas onde a eletricidade não chega.

No intuito de encontrar soluções, a Nissan firmou nesta sexta-feira, 03, parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para estudar aplicações possíveis. A empresa vai fornecer inicialmente seis baterias de modelos Leaf que foram usados como táxis em São Paulo e no Rio de Janeiro em testes entre 2012 e 2016.

Nissan pretende já ter definido um destino para as baterias do Leaf após seu descarte

Nissan pretende já ter definido um destino para as baterias do Leaf após seu descarte

Embora descartadas nos automóveis, onde têm vida útil de cerca de oito anos, as baterias seguem com grande capacidade de carga e podem ser usadas para armazenamento de energia de maneira independente da rede elétrica convencional, informa o presidente da Nissan do Brasil, Marco Silva.

Segundo ele, a UFSC já desenvolve projetos de reutilização de baterias de lítio, embora não automotivas, por isso foi escolhida para a parceria. “Vamos encontrar uma segunda vida para a bateria e, futuramente, uma terceira vida”, diz o coordenador do Laboratório Fotovoltaica da UFSC, Ricardo Rüther.

Essa terceira fase seria desmontar e retirar os materiais nobres – lítio, cobalto e níquel – para outras finalidades. A UFSC trabalha há três anos com baterias de lítio novas que são abastecidas com energia solar e usadas na universidade. Também tem um ônibus para uso interno movido 100% a bateria com energia solar.

Silva afirma que uma das possibilidades é armazenar energia nas baterias e entregá-las em regiões onde não há luz elétrica ou comunidades de ribeirinhos para bombeamento de água.

O executivo explica que cada bateria contém 48 células do tamanho de notebooks que armazenam energia. Ao assinar o convênio, os técnicos da UFSC fizeram um teste com sete dessas células e constataram que essa quantidade é suficiente para abastecer uma casa de dois dormitórios com dois moradores por 24 horas. Uma possibilidade é armazenar a energia durante o dia, quando o custo é mais barato, e usá-la à noite, quando é mais caro.

O presidente da Nissan ressalta que já há projetos em outros países onde o Leaf é vendido há vários anos. Em junho, a montadora inaugurou em um estádio na Holanda um sistema alimentado por 148 baterias do modelo que funciona sem conexão com a rede elétrica. Segundo a empresa, é o maior sistema de armazenamento de energia da Europa. No Japão, a empresa e parceiros instalaram postes de luz na cidade de Namie alimentados por uma combinação de painéis solares e baterias do Leaf.

Rüther informa que a primeira experiência com as baterias do Leaf será para armazenar energia a ser usada no próprio laboratório. Os testes também servirão para avaliar qual o tempo de uso dessa “segunda vida” das baterias.

Mercado de carros elétricos

Silva ainda não tem dados sobre o tamanho do mercado para o Leaf no Brasil. Também não há preço definido, mas o modelo vai se beneficiar da recente redução do IPI para elétricos e híbridos, de 25% para 7% a 20%. Ele acredita que o Leaf deverá ter alíquota de 8% ou 9%.

No mês passado a BMW e a EDP instalaram seis postos de recarga rápida na Rodovia Dutra, que liga São Paulo e Rio, para incentivar o mercado.

Em 2017 foram vendidos apenas 125 carros movidos a bateria elétrica no País e 2.821 híbridos. Um grupo formado por diversos setores e o Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços (Mdic) prepara uma proposta de política de eletromobilidade para o Brasil a ser apresentada no fim deste ano.

Fonte: Estadão

 

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