sem água, Energia mais cara

18-05-2017

O país não corre o risco de ficar sem energia, mas ela vai continuar cara e por um bom tempo. Esse foi o alerta dado pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, durante o evento “E agora, Brasil?”. Mesmo com o nível de reservatórios baixo em relação aos últimos anos, o ministro descartou a hipótese de um novo apagão ou de racionamento.

— Não há risco de apagão. Isso é recorrentemente questionado. Não vai faltar energia. O problema é a que preço. É inconcebível no país que temos, já há todas as fontes de energia no país, ter que ficar esperando para ver se vai chover. Não dá para achar isso normal — afirmou Coelho Filho.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Nordeste estão atualmente em 20,7% de sua capacidade. Os da região Centro-Oeste/Sudeste estão em 41,5%, seguidos do Sul, com 43,2%, e os do Norte, com 66%. Para poupar esses reservatórios, o governo precisa recorrer às usinas termelétricas, que pesam mais no bolso do consumidor, pois têm um custo por megawatt maior em relação ao das usinas hidrelétricas.

— O governo tomou a decisão de não fazer mais usinas com reservatórios. Hoje as novas hidrelétricas são a fio d’água (sem reservatório). As grandes usinas (com reservatório) estão no Nordeste, e estamos com a hidrologia adversa nos últimos seis anos. Já estamos com bandeira vermelha (sobretaxa na conta de luz) e ela seguirá devido aos custos da nossa geração termelétrica. Isso é outro desafio. Precisamos que elas tenham um custo mais competitivo. Mas essa transição você não faz de uma hora para outra — disse o ministro.

Situação difícil no Nordeste

Ele alertou para a situação do Nordeste. Lembrou que a maior usina da região, a de Sobradinho, no Rio São Francisco, está abaixo de 15% da capacidade. Como, segundo ele, o período de chuvas só começa em dezembro, haverá “certamente dificuldade”. Segundo ele, a Região Sudeste está numa situação pouco mais confortável.

— No Nordeste, já dependemos basicamente de geração termelétrica, eólica e importação de mercados do Sudeste e Norte. E estamos indo para uma situação muito delicada para o segundo semestre em relação à geração hídrica no Nordeste. A energia hidrelétrica no Nordeste já é a quarta fonte mais importante, atrás de importação de energia de outras regiões do país, eólica e termelétrica. Não vai faltar energia, mas para gerar vai ter um preço — disse o ministro.

Para David Zylbersztajn, ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e sócio-diretor da DZ Negócios com Energia, a descentralização, com o próprio consumidor gerando sua energia, por meio de placas solares ou geração distribuída, é um dos caminhos a serem percorridos no Brasil.

— É preciso descentralizar a produção de energia. Essa é uma das saídas. Deveria se pensar como permitir o avanço sem a intervenção do governo. Em geral, o governo atrapalha.

Nos últimos anos, o consumidor passou a conviver com a forte oscilação na tarifa de energia. Em 2015, segundo dados do IBGE, a conta de luz teve alta de 51%. Com as mudanças drásticas, ficou cada vez mais difícil planejar o orçamento e a trajetória da tarifa se converteu num verdadeiro eletrocardiograma. Para o ministro, este quadro reflete as escolhas erradas feitas no passado.

— Antes vocês tomava a decisão de qual fonte de energia ia contratar com base em quanto o investidor ia ganhar. E isso gerou uma série de distorções, criando um custo maior para o consumidor. Lá atrás, para ter energia pelo calendário eleitoral, e uma série de outras coisas, você usou os reservatórios, quando sabia que o cenário era bastante adverso adiante — disse ele.

Além disso, o ministro questionou o que chamou de “penduricalhos” na conta de luz. São uma série de encargos que os brasileiros arcam no preço final da energia elétrica, reunidos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). E apresentou uma triste realidade: o consumidor paga mais pelos subsídios do pelos serviços da distribuidora.

— Esses benefícios, que foram concedidos e subindo aos poucos, chegaram a R$ 18 bilhões no ano passado. Chegamos na situação que, hoje, na conta de energia que a gente paga na nossa casa tem mais subsídios do que (serviço da) distribuidora. Essa é a realidade. Isso está pesado o suficiente e estrangula ainda mais o consumidor — afirmou o ministro.

Coelho Filho destacou iniciativas como a maior fiscalização e a própria decisão do governo de tirar o controle e a gestão da CDE da Eletrobras:

— Já reduzimos uma conta de R$ 18 bilhões para R$ 15 bilhões. E a expectativa é que o número caia para R$ 13 bilhões. Entendo a provocação de um amigo do setor, que me perguntou se eu já sabia rezar para São Pedro. Estou tratando de aprender.

Fonte: Extra

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