Veja as medidas que elevam a conta de luz

03-10-2018

O aumento na conta de luz nos últimos meses foi sentido por consumidores de todo o país. Em São Paulo, por exemplo, o reajuste aprovado pela Eletropaulo em agosto foi de 15,84%. No Rio de Janeiro, as contas também tiveram alta na casa dos dois dígitos.

Para agravar a situação, os consumidores têm pagado as chamadas bandeiras tarifárias nos últimos meses, situação que deverá se prolongar, pelo menos, até novembro.

Esse aumento é resultado de diversos fatores, e decisões do governo podem elevar o preço ainda mais no futuro.

Veja algumas medidas que impactaram e que podem afetar sua conta de luz.

  1. Seca prolongada 

Os reservatórios de água do país passam por um período de seca. Em dois cenários traçados pela ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico), a situação é pior do que em 2014, quando o país viveu a pior crise hídrica em 20 anos.

Quando isso ocorre, as usinas hidrelétricas geram menos energia, e o governo precisa acionar usinas termelétricas para compensar, o que significa um custo extra.

Esse gasto adicional vem nas chamadas bandeiras tarifárias, que são adicionais na conta de luz para pagar essas termelétricas.

Só que a seca tem sido tão grave que essa renda não tem sido suficiente para remunerar as distribuidoras de energia (que contratam os geradores de energia). É por isso que os últimos reajustes têm sido tão altos.

  1. Crise na Venezuela

Pode parecer estranho, mas a crise venezuelana também impacta na conta de luz de todos brasileiros.

O motivo é que o estado de Roraima depende de energia importada do país vizinho, mas vem sofrendo com apagões causados pela crise econômica​. Além disso, a Venezuela ameaça cortar o suprimento ao estado devido a um imbróglio no pagamento da energia.

Para proteger o abastecimento no estado, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai acionar usinas térmicas no estado de Roraima, para que ele tenha uma geração própria.

A conta, de R$ 406 milhões até o fim deste ano, será paga pelos consumidores de energia de todo o país. Em 2019, essa conta pode chegar a R$ 1,2 bilhão.

  1. Privatização da Eletrobras

A venda das distribuidoras da Eletrobras pode provocar aumento na conta de luz. Isso porque, para viabilizar a venda de uma delas, a Amazonas Energia, o governo tenta aprovar um projeto de lei que transfere aos consumidores o pagamento de dívidas bilionárias das empresas.

O impacto na conta de luz pode ser de R$ 5 bilhões, segundo a Abrace, uma associação que representa grandes consumidores industriais.

Além disso, a Eletrobras cobra que o governo arque com os custos das distribuidoras dos últimos meses.

A razão é que a concessão das empresas já venceu, ou seja, as distribuidoras que a Eletrobras tenta vender não precisariam mais oferecer o serviço. No entanto, continuam operando, enquanto os leilões de privatização não são concluídos, para evitar um corte de luz nos estados.

A transferência desses custos da Eletrobras para o governo pode acarretar em mais R$ 11 bilhões para serem pagos pelos consumidores.

  1. Pagamento extra a empresas geradoras

O governo quer elevar o pagamento a três usinas térmicas movidas a gás natural, para viabilizar seu acionamento e preservar os reservatórios hídricos.

O governo planeja aumentar a remuneração às empresas que controlam as usinas, além de outras medidas para favorecer sua operação, para que elas possam ser novamente contratadas.

Esse pagamento será repassado à conta de luz.

Além disso, há o caso da usina nuclear de Angra 3, cujas obras estão paralisadas. Uma medida avaliada pelo governo para atrair investidores privados e concluir a obra bilionária é aumentar o preço pago pela energia gerada, tornando o empreendimento mais atrativo (segundo alguns analistas, sem isso, ele fica inviável).

Esse preço mais caro seria pago, novamente, pelos consumidores.

  1. Leilão de térmicas

Além disso, o Ministério de Minas e Energia estuda realizar um leilão para contratar novas usinas térmicas movidas a gás natural na região Nordeste.

O impacto na conta de luz é estimado em R$ 2 bilhões pela Abrace. Além disso, o leilão sofre críticas de alguns especialistas, que questionam a falta de estudos para a construção de novas usinas e o fato de ser um certame apenas para a região Nordeste, o que contraria o sistema interligado que sempre predominou no Brasil.

É importante lembrar que há também algumas medidas em curso para tentar reduzir a conta de luz.

Uma delas é a revisão de subsídios que estão pegos pelo consumidor.

Entre os favorecidos pelos encargos estão produtores rurais, empresas que prestam serviços públicos de saneamento e consumidores de baixa renda, que recebem tarifas sociais, mais reduzidas.

Outros grandes beneficiários são as empresas de energias renováveis, como eólica e solar.

Esses empreendedores recebem uma série de isenções de taxas, que são pagas por todos os consumidores.

Fonte: Folha de S.Paulo

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